O Peixe Seco da Nazaré

O Peixe Seco da Nazaré é de origem pouco conhecida, mas este é um dos bilhetes postais que a vila apresenta a quem a visita. As vendedoras expostas em linha, praia fora, mostram a quem passa a importância de uma arte que o tempo vai preservando. Aquela que seria uma maneira de conservar o peixe, […]

O Peixe Seco da Nazaré é de origem pouco conhecida, mas este é um dos bilhetes postais que a vila apresenta a quem a visita.

As vendedoras expostas em linha, praia fora, mostram a quem passa a importância de uma arte que o tempo vai preservando. Aquela que seria uma maneira de conservar o peixe, para que nos dias em que a pesca não se traduzia em sorte para a família,  houvesse comida ou algo para vender nos mercados, chega aos dias de hoje como uma tradição.

Do sustento a marco turístico, o tempo, esse actor que não deixa o palco, evidencia as dificuldades de um povo que vivia da pesca e daquilo que o mar dava. Assim como é usual ouvirmos os chavões nazarenos do “Zimmers, Rooms, Chambres, Quartos”, assim que pomos os pés fora do autocarro também a tradição do peixe seco lá continua.

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O Peixe Seco da Nazaré, “Estindarte”, Gonazaré, o teu Guia Turístico Local

Na Nazaré as espécies que mais usadas são para a secagem são o carapau, os batuques, a sardinha, a petinga, o cação, e o polvo, devido à sua abundância.

Estendidos no estandarte, uma espécie de rede, virada para sul onde o peixe é colocado a secar, os nazarenos utilizam duas técnicas para o fazer (seca do peixe): o peixe seco e o enjoado, com características de preparação e de consumo diferentes.

Primeiro é “amanhado”, onde se tiram as tripas do peixe, depois é lavado e passado por uma salmoura feita com água e sal grosso. Depois de ultrapassado este processo, o peixe é aberto ou escalado, estendido nos paneiros e posto ao sol. A secagem pode durar entre 2 a 3 dias, dependendo (como dizem os entendidos) das condições atmosféricas.

Esta tradição com muitos admiradores nazarenos, não é uma práctica usual noutras regiões o que torna muito difícil a sua venda para os turistas, que muito timidamente lá levam um saco pela mão para depois provarem a iguaria.

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De acordo com a técnica usada para a secagem do peixe, também a sua forma de comer varia. O peixe seco pode ser comido cru e desfiado, ou cozido e regado com azeite, vinagre ou sumo de limão e alho picado. Enquanto o “enjoado” é geralmente grelhado.

De forma a poder manter, partilhar e”cultivar” a tradição da secagem do peixe, a Câmara Municipal da Nazaré irá lançar o Museu do Peixe Seco da Nazaré ainda em 2017. Outro projecto que irá ter desenvolvimento será a certificação do produto.

Onde podem encontrar os “estindartes” (forma como os nazarenos chamam ao estandarte)? É a sul da praia, junto ao Centro Cultural da Nazaré.